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segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

CASA VELHA: NOITES AFRICANAS




Ainda na pedalada apimentada pelo Lúcio, deixo aqui mais um testemunho das coisas que fazíamos na Casa Velha.Calha à vez às noites africanas. Tudo o que está no cartaz acontecia ( em 1992, eu tinha 21 anos) . Falta dizer que os jovens da cidade de Maputo topavam e aderiam aos diversos programas que criávamos e realizávamos na Casa Velha. O teatro era apenas a âncora. havia o Danjac e as suas revistas BID ( Boletim Infornativo Danjac) e o alvorada ( revista de artes e letras). Havia aulas de vídeo, de computador, saraus, papo até amanhecer, um pouco de xadrez e também as noites africanas. Creio que foram uma criação incentivada pelo Caldas Chemane ( abc, caxaca, flor...).


Das noites africanas muitas outras coisas giras surgiram. Julgo que uma delas, muito mais tarde, salvo erro, terá sido o grupo de dança tradicional Máscara. grupo no qual iniciaram-se hoje mestres e referências internacionais na dança como o alex ( coreógrafo), Célia ( actualmente em Cape Town ) e Panaibra Gabriel, expoente máximo africano da dança moderna a cintilar nos melhores palcos europeus e americanos ( conto trazer na segunda metade de Fevereiro uma entrevista ao panaibra).


sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

MAPIKO







Mapiko é o nome do "teatro" da Associação Cultural "Casa Velha". O Mapiko foi construído por trás do edifício principal da "casa velha", no espaço contíguo ao INDE ( instituto Nacional de Desenvolvimento da Educação) e Campus central da Universidade Pedagógica, na zona da Polana. Antes, no mesmo sítio, havia árvores de fruta. O teatro Mapiko, como se sabe, é o primeiro e único teatro a céu aberto construído de raiz no país depois da independência. O nome Mapiko foi "roubado" à dança emblemática do povo Makonde, intrépido povo guerreiro e de artes. os makonde habitam nativamente a zona planáltica de Cabo Delgado, norte de Moçambique.
O teatro Mapiko foi um dos epicentro da explosão de teatro verificada no país nos finais da década de oitenta e princípios da de 90. Foi no palco do Mapiko que a "casa velha" brindou o público de Maputo com inesquecíveis performances do "curandeiro a força" (adaptado de Moliere), "três pretendentes, um marido" ( oyono Mbyia), "antigona" ( Sófocles) de entre outras peças maravilhosas.
No Mapiko nasceram e fizeram-se estrelas actores, músicos,coreógrafos, dançarinos, técnicos de cenografia, ilunimotecnia,gestores de cultura, etc.
O mapiko desperta em muita gente saudades. Lembranças inolvidáveis. Histórias que sempre apetece reviver e contar. E chorar de emoção sempre que se evoca tal passado. O mapiko faz parte da vida de muita gente.
ps:
Amigo Lúcio ( lema), estamos juntos no resgatar da mística da Casa Velha e de todas as boas memórias.

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

CASA VELHA




Não estou alheio às belíssimas mensagens/comentários dos meus amigos Ouri Pota (http://www.maosdemocambique.blogspot.com/) e sj sobre a casa velha. Estou costurando algumas coisas. já contactei outras pessoas que são verdadeiras bibliotecas e arquivos ( quando o assunto é Casa Velha). Entretanto, não resisto a partilhar mais uma foto. Uma nota final, salvo engano meu, a casa velha celebra mais um aniversário no dia 10 de Dezembro. Gostaria de partilhar memórias e comentários sobre o papel da casa velha na construção da cidadania ( foi assim que a amiga sj escreveu num comentário que pode ser lido neste blog). Ou sobre qualquer outra coisa. As portas estão escancaradas.

sexta-feira, 21 de novembro de 2008

CASA VELHA-NIASSA


CASA VELHA-MAPUTO


Deixo aqui duas fotos que muito me tocam. São imagens das sedes da Casa Velha de Maputo e do Niassa. As fotos foram feitas nas duas últimas semanas.

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

CASA VELHA (2)


Na última postagem sobre "casa Velha", no
fim texto, deixei entender que ia mostrar
uma lista de peças de teatro exibidas pela
Associação cultural da Casa Velha, dizendo
vide imagem acima. Mas não havia nenhuma
imagem com a tal lista. O que o faço desta
vez, com um pedido de desculpa.

domingo, 12 de outubro de 2008

CASA VELHA (2)


Em 1986, como terei dito na apresentação da secção "danjaquina", entrei pela primeira vez na "casa Velha". A " casa velha", como se sabe, é a mais emblemática associação cultural que existe em Maputo. O nome vem do edifício que é sede e é onde funciona a dita associação cultural. Porque é um edifício inegavelmente velho ( hoje, mais de 20 depois, a casa continua cada vez mais inegável e insustentável e perigosamente velha) os fundadores da associação decidiram, nada melhor e mais original, chamar ao sítio " Casa Velha". Na altura estavam em cartaz duas peças ( o que diz sim e o que diz não- Bertolt Brecht; e quem me dera ser onda-adaptado de um romance homónimo de Manuel Rui).

Como já vinha sendo hábito, passei uma parte das férias escolares desse ano na Beira,onde vivia a minha mãe e mais dois irmãos. A propósito, recuperei uma guia de férias que nos era dada na escola. A mesma servia para apresentarmos no local onde fossemos passar as férias, garantindo que tínhamos feito as "actividades de férias" nalguma unidade produtiva...

Assim, não me recordo se foi ainda em 1986 ou em princípios do ano seguinte, 1987, o Machado da Graça ( salvo erro da memória) trouxe-nos um texto de um outro autor africano e começamos a ensaiar. Era a primeira vez que participava numa peça " à serio".

Na " Casa Velha" não havia esquisitices. Todo o gajo que aparecesse entrava para o grupo de trabalho. No início fazíamos "exercícios de preparação de actor" que era mistura de alguma preparação física ligeira e exercício propriamente para actores: mímica, projecção de voz, improvisação, etc. Desta maneira, num dia podíamos estar na sala uns trinta jovens(O que fazia estalar consideravelmente o chão de madeira da sala de ensaio) para no dia seguinte sermos somente uns 7. Nada parava nem mudava.

Depois do ensaio, entregava-mo-nos às mais diversas ocupações. A mais importante era estudo das matérias escolares. Outros preferiam colar-se à televisão. Havia também um laboratório de fotografia, uma pequena mas bastante famosa biblioteca, mesa de ping pong. De resto, a casa velha, era uma das mais equipadas instituições culturais e recreativas da cidade. No nosso armazém havia de tudo e nossa criatividade explorava aquilo e a paciência do Machado da Graça até ao limite. Nisso contávamos com a cumplicidade sempre bem disposta do Luís Soeiro, que embora fosse da " idade " do Machado, muitas vezes, e de forma disfarçada, divertia-se mais connosco, os jovens.

Quando começamos a ver o texto e a construir os personagens, comecei por fazer parte " da escolta" de um " alto funcionário". Na história, claro. o tipo era tão importante que tinha escolta e andava numa espécie de " machila". Era o "mbia" interpretado por Luís Soeiro.

Foi a minha entrada para o mundo do teatro. E três pretendentes um marido foi uma ( de entre várias, vide a imagem acima) das peças que iniciou uma revolução em Maputo e Moçambique.


quarta-feira, 10 de setembro de 2008

CASA VELHA (1)

Em 1986 eu estudava na Escola Secundária Josina Machel, em Maputo. Na 8ª classe. Na altura, a escola "terminava" na 9ª. Creio que tenho algures ainda a composição mais ou menos completa da turma. Nome de cada um dos colegas e coisas assim.Um dos quais atendia pelo nome de José Machaieie. Acho que na moda estava o break dance. E a malta que estava a "dar" volta e meia era a mesma que faziam vibrar as claques da natação na piscina do maxaquene ( velhos colonos). Agora é a piscina da Associação de natação da cidade de Maputo.Embora eu não tivesse ido lá nunca, consta-me que o "Favo" era a mecca do break dance.Ficava nos PH do outro lado do famoso splah. Em Maputo.

O José machaieie era um colega bastante discreto e recatado ( fez engenharia. Não sei onde está.Mas das últimas vezes que o vi, Há uns 5 anos atrás- 2003- continuava discreto e muito fino no trato. Nas nossas conversas falou-me de umas peças de teatro que estavam a ser apresentada no teatro avenida.Tratava-se de "o que diz sim e o que diz não" e "quem me dera ser onda". Contudo, lembro-me mais desta última. Não sei bem porque. E um dia lá fui ao Avenida. Penso que entrei pelos fundos e acho mesmo que não vi quase nada da peça. Mas deu para sentir o perfume dos actores cá fora, no fim. Beijos, abraços, elogios. Hoje compreendo que aquele era um ambiente bastante fino e selecto. E aqueles actores eram mesmo estrelas.

Dias depois e devidamente aliciado pelo josé machaieie dei um pulo ao sítio onde aquele grupo de teatro ensaiava. na 24 de Julho, perto do supermercado cujo nome agora é...., e ao lado da antiga dependência do BPD da Maxquene ( foi lá onde o meu pai abriu a minha primeira conta bancária. No tempo da caderneta de poupança e da formiguinha...). Há ali uma rua enfiada.Que termina na Casa Velha. Mas eu não entrei por ai. Fui pela Patrice Lumumba. E entrei. Acho que encontrei um fulano a quem disse, a disparar " quero fazer teatro". Senta-te aí! acho que foi a resposta. Sem o saber estava a falar com o Machado da Graça. E fiquei para ali uns dez anos. naturalmente não sentado, mas, e pelo contrário, em doentio rodopio.

Conheci então a minha primeira e única família fora de casa. Família que me fez homem e personagem da história que neste blogue estou a escrever. No mesmo ano, em 1986, entrei para o Danjac. o Danjac e a Casa velha são os dois lados do meu coração. Por isso vou falar dos dois ao mesmo tempo.Lado a lado, como eles viveram e nasceram no coração de muitos de nós.Naquela altura,e para acomodar uma mania em vez de António Teodoro Miguel( só passei a usar o nome Ndapassoa nos princípios da década de 90), passei a assinar ATM. E o nome ficou. ainda uso-o e gosto maningue dele.