terça-feira, 1 de Setembro de 2009

ilha de moçambique: baluarte da imprensa e da literatura










































Prometi aos meus estudantes do primeiro ano das Ciências de Comunicação, como complemento às aulas sobre o surgimento da imprensa e da literatura em Língua Portugesa em Moçambique, as fotos que hoje posto. postais da Ilha de Moçambique. Vale recordar que em Maio de 1854 aparece a primeira publicação periódica em Moçambique ( Boletim do Governo de Moçambique). passam hoje 155 anos.

quarta-feira, 22 de Julho de 2009

HISTÓRIA DA ELECTRIFICAÇÃO DE NIASSA

Nos últimos meses andei empenhado em concluir um livro sobre Electrecidade. Mais concretamente, sobre a história da electrificação de Niassa. Foi uma viagem sem igual. Deixo-vos a capa, umas linhas do autor e outras tantas minhas, na qualidade de editor e organizador.
O livro, o autor e o leitor

O livro
O livro resulta da transformação de um trabalho de pesquisa, com o qual o autor participou num concurso interno da empresa EDM – EP.

Percorrendo a brochura que deu origem ao livro, ficou-me claro que o autor cavou com desnudado gosto e prazer histórias de pessoas e de vivências, de tal sorte que o objectivo enunciado, o de recolher e sistematizar a memória dos caminhos e datas que a energia eléctrica percorreu no território da Província de Niassa, se insinuava apenas como intenção motora, pois, e irredutivelmente, é a história das pessoas que o autor teima em capturar e não consegue deixar de escrever. São os homens que sulcam as montanhas e os vales. São eles que espetam postes e fazem deslizar os cabos condutores. É a adrenalina e a intrepidez dos técnicos que faz a luz iluminar. É uma tensão que se estabelece entre a riqueza e o protagonismo da acção humana e a consciência de localizar no tempo e espaço os mecanismos e instrumentos relacionados com a produção, distribuição e gestão da energia eléctrica.

O título
Deste modo, a fixação do título transformou-se num novo espaço de rediscussão e assumpção da abordagem da obra. Por exemplo, estava claro que o mote do livro eram os sistemas de geração de energia. À medida que o livro ia ganhado forma, anunciava-se, porém, com maior nitidez, a presença em primeiro lugar de uma história humana. E, em segundo, um alargamento do âmbito de “centrais térmicas” para “electrificação da Província de Niassa”, abarcando-se e publicando-se todas tais dimensões e matizes no título.

O conteúdo
É a história da electrificação de cada um dos distritos da Província de Niassa. E da cidade de Lichinga. Exumando-se memórias de como começou a electrificação em cada local. Depois faz-se uma descrição cronológica dos eventos até aos dias de hoje. Foi uma pesquisa demorada e penosa (rebuscando imagens fotográficas e dados que o tempo teimava em esconder); o cruzamento de trabalho de campo e horas de consultas a documentos, muitas vezes, manejando dados não reconciliáveis, outras vezes, absolutamente contraditórios. Há referências históricas que são fixadas com diferenças de décadas e, até, às vezes, com variação de lugar de ocorrência. Em tais casos, a decisão tomada é sempre um risco. Mas tomada com serenidade e toda a responsabilidade. O que é certo é que outros autores ajudarão a construir uma história mais exacta. Corrigindo-se imprecisões e percalços involuntários, afinal, a pesquisa apenas iniciou.

O leitor
Aos técnicos da área da electricidade o livro será muito útil. Os gestores e decisores políticos poderão aqui rever-se para melhor aquilatar o futuro. Os estudantes e interessados pela de electricidade e história do crescimento de cidades e vilas do Niassa encontrarão nesta obra muitos dados de referência.
...
E, para a EDM – EP, um certo desafio terá sido já, certamente, abraçado: o de estender esta abordagem de resgate da história às outras províncias e eventos ligados à área. E editar mais livros. À EDM – EP, pela confiança, agradeço. Ao autor, dr. Rodrigues Laidone, pela perseverança, um abraço de muita solidariedade.

António Miguel Ndapassoa (editor)
Breve nota introdutória

A história da descoberta do fenómeno de electricidade remonta da antiga civilização grega. Assim, o termo electricidade provém do grego "ambar". Conta-se que o fenómeno ocorreu pela primeira vez com Tales Mileto que ao experimentar várias vezes, e repetidamente, a fricção do ambar terá descoberto esse fenómeno.

Depois desta descoberta passaram muitos séculos, até que o processo da geração e manuseio da electricidade fosse suficientemente conhecido e controlado. Só assim a sua utilidade conquistou a alma da Humanidade, despoletando uma verdadeira revolução histórica e universal. Nesse desiderato, cujo marco se pode situar no século XVI, avultam os nomes de cientistas como William Gilbert, Otto Von Guerike, Benjamim Frankly, Georg Simon, Alessandro Volta. Resultaram daí abordagens mais firmes no domínio da electricidade, na forma estática e na forma corrente que, por sua vez, transportou-nos para a era do pleno desenvolvimento económico e industrial iniciado no século XIX.

A energia eléctrica está recheada de múltiplas vantagens, uma delas é a invocada iluminação de lugares públicos e residências, para além das fábricas, grandes complexos industriais, minas e outras unidades económicas que laboram com a energia. Aliás, é difícil imaginar, na contemporaneidade, a vida sem este recurso. Basta um simples corte de corrente eléctrica para colapsar a cadeia de sistemas e eventos que é a sociedade e complicar a vida de milhares e milhares de pessoas.

Antes da Independência Nacional, em Moçambique, e muito em particular em Niassa, a electrificação era assegurada pelas câmaras municipais, pois a estas tinham sido adjudicadas os Serviços de Exploração de Energia, e que asseguravam todo um conjunto de processos. Nos locais onde não existia este corpo administrativo eram as administrações coloniais que mantinham esta actividade.

A câmara municipal era monitorada pelos Serviços Autónomos de Electricidade de Moçambique, que possuía a sua sede em Lourenço Marques, actual Maputo. Para questões técnicas existia a COMEL (Consórcio de Máquinas e Electricidade) que, para além de se responsabilizar pelas reparações, era agente dos grupos geradores, como a Deutz.

Niassa começa a ser electrificado a partir de 1935 através de uma central a lenha. Depois passou para uma central a diesel, e mais tarde por uma cadeia de processos e dificuldades enormes até ser ligado à rede nacional de energia em Julho de 2005. Em Cuamba existia a Comissão Municipal do Amaramba que desempenhava esta actividade. Nos restantes distritos, não havendo um corpo Administrativo, as administrações é que vinham desempenhando esta função.

Conhecer, descrever e partilhar todo esse longo processo de produzir e distribuir energia foi e é o meu grande objectivo. A obra não esta concluída. O que mais me motivou era começar. E dizer. é possível.
Rodrigues Laidone ( autor)

quarta-feira, 1 de Julho de 2009

coragem e cara de pau











É preciso ter muita coragem para expor a cara de pau. Não é um qualquer mortal que se arremete a tal situação... vamos lá, ainda que compungido ou acobertado por desculpas tidas por dignificantes e por menos esfarrapadas que elas sejam.

No primeiro semestre do ano passado estive em Gurue. Distrito situado na zona norte da Província da Zambézia e que faz limite com Niassa. Tratou-se de uma viagem de sonho. Um sonho que valeu, pois de facto Gurue é um sonho. A parte o desmazelo que estava o centro da "cidade".


Um conhecido meu esteve por la neste ano e ofereceu-me a s fotos que vemos. Trata-se de Ansferrao, um amigalhaço agora picado pelo vicio da fotografia de circunstancia. Para salvacao deste rastejante blogue.


Eu também não reconheci gurue nestas fotos. Esta com uma face muito renovada, arranjadinha.

segunda-feira, 11 de Maio de 2009

CABRITOS, CABRITADAS, CABRITICES...


Esta imagem está a animar as conversas em muitos chats. Foi tirada sobre a ponte Samora Machel, cidade de Tete ( Moçambique). Famosa pelos seus cabritos e histórias de crocodilos.

quarta-feira, 6 de Maio de 2009

PRAIA KRIOLA


Por mero acaso não consigo evitar o cruzamento com a referência PRAIA. Desta vez, tratando-se da capital de Cabo Verde. Cidade a partir da qual o jornalista e professor universitário CARLOS SANTOS ( CS) edita uma blogue. Feito à medida e feitio. Belo e incisivo no Verbo. um blogue cuja leitura recomendo aos que se interessam por coisas de jornalismo e comunicação social. Chama-se kriolradio.blogspot.com e como o autor enquadra "dedicado" a analise e o comentário à rádio de cabo Verde.

segunda-feira, 20 de Abril de 2009

PRAIA





Muito recentemente uma publicação norte-americana integrou a Praia de Jangamo ( província de Inhambane) na lista das 50 mais belas do mundo. O que muito nos orgulha ( e nos traz mais e mais turistas). Não vi a lista. Não sei, portanto, quais as outras 49. Não sei, por conseguinte, se há mais praias moçambicanas ou não. deixo aqui fotos da praia de Pemba( Cabo Delgado- Norte de Moçambique). Alguém tem as de Jangamo? Pode aqui partilhar, essas e de todas outras maravilhas deste nosso rico Moçambique?

terça-feira, 14 de Abril de 2009

MPHYANGA

Conforme a promessa, e ainda ligado ao lançamento simultâneo no próximo dia 15 de Maio na Beira dos Livros Mphyanga e Nzerubawiri ( edição revista e aumentada) de José Pampalk, recebi do autor o texto que segue e que publico tal e qual. Boa Leitura. Preste-se atenção ao conto, de uma beleza e riqueza notáveis.


“... O presente livro ‘Mphyanga?’ pretende reanimar esta capacidade corajosa de perguntar e de aceitar ser perguntado. Se não houvesse mais sessões ou artistas a ‘cantar contos’, então, tornava-se urgente reinventar este modo de contar contos. Os contos deste livro (...) exprimem, por símbolos e metáforas, as perguntas importantes, que nos fazem muita falta, hoje! Certamente, jornalistas competentes e independentes assumem, hoje, um papel importantíssimo, mas, perdendo-se a tal literatura oral e viva, perde-se com ela a capacidade de pronunciar e entender perguntas discretas, formuladas sob imagens e fábulas, mas pertinentes; perde-se também o necessário humor que sabe aceitar críticas.

Diezm que, no Malawi, os lideres e os que têm um conceito deformado da chefia ficam demasiado sensíveis e resistentes à crítica, aplicando, especialmente aos chefes o provérbio geral: uma batata doce curva não se deixa endireitar! (Nzeru n.406, modificado em Chewa assim Nfumu ndi mbatata, ukangola wathyola). O relatório final dum estudo observou em Moçambique uma tendência semelhante de dirigentes interessados “de que fosse veiculado uma informação que não revelasse a realidade, que fosse parcelar e reflectisse apenas as suas próprias leituras da realidade” (Sociedades Pós-Guerra 1997:30). Sendo entâo, a literatura oral e a comunicação social instrumentos da reconciliação nacional e de desenvolvimento comunitário, deve-se investir mais e ao mesmo tempo na capacitação jornalística e também na literatura oral, recolher, compilar, estudar colecções de contos, não para fechá-las em arquivos e assim esquivar-se ao desafio, mas para expôr e ir ao fundo destas questões expressas, desde o conto do timba no prólogo (c.1) até ao da cadela preta no epílogo (c.55).

Noutros contos simbolizam vários animais as duas possíveis tomadas de posição do coração, dum cidadão, chefe ou marido. Nem sempre ambas as alternativas são explicitamente elaboradas. Uns limitam- se a denunciar somente a escolha a mais destructiva, deixando aos ouvintes a pensar noutra escolha mais constructiva. Mas nestes dois contos a estrutura e a mensagem são muito claras: O do pássaro timba coloca-nos a todos diante da questão primordial “É meu, ou pertence a algum outro?” Sua reacção “é meu (Mphyanga)” desmáscara a atitude epidémica, mundialmente mais grave, e sua interpelação é válida e crucial para cada país, organisação, aldeia ou casal....

(o primeiro conto, página 28-30)

1. O Passarinho Timba

(é meu ou pertence a todos?)

Um dia o Leão, rei dos animais, encontrou o muito pequeno passarinho Timba a comer uma larva. Então, o Leão perguntou-lhe:

– Ora essa, porque estás a comer estas larvas pequenas; não gostarias mais de outra comida boa, como milho ou gafanhotos, grilos e outra bicharada pequena?

E, logo, o Timba respondeu:

– Sim gostaria, meu senhor, mas como posso?!... Este meu bico e esta minha pouca força não chegam!...

– Gostarias mais ser uma galinha do mato? – perguntou-lhe o Leão.

– Sim, gostaria tanto! – respondeu logo o Timba.

O Leão, então, ordenou:

– Doravante, serás uma galinha!

E o Timba, realmente, transformou-se numa galinha, começando, com muita satisfa­ção, a comer também milho e gafanhotos, grilos, caranguejos e outros bichos pequenos.

Passados uns tempos, encontrou-se de novo com o rei Leão, que não tardou a perguntar-lhe:

– Então, Nfumu Galinha! Estás muito contente, não é?

– Oh, meu rei, está a querer saber, de novo, como estou bem?! Sim, os grilos, gafanhotos, caranguejos, agora, são para mim uma brincadeira! Mas há outros animais que eu ainda não consigo comer: os outros pássaros, como as rolas e os pombos, por exemplo. Se eu fosse uma raposa, então, não fariam mais troça de mim!

– Está bem, transformo-te numa raposa!

E o Timba tornou-se raposa, de verdade. E nenhuma ave, galinha, rola, galinha do mato ousava mais passar perto dele. O Timba-raposa, contente, encontrou-se de novo com o Leão que quis saber:

– Então, raposa, agora estás feliz e consegues apanhar as tuas aves?

– Ó meu rei, agora sou eu o salteador das galinhas, patos do rio, patinhos e outros. Somente ainda não consigo apanhar cabritos do mato, antílopes anyasa ou estes roedores nsenzi. E, quando observo como o felino njuzi os apanha com facilidade, então sinto inveja por não poder fazer o mesmo.

Assim confessou o Timba-raposa e o Leão disse-lhe:

– Se quiseres, sejas, então, também um felino njuzi! – concedeu-lhe o rei dos animais.

Assim, foi o Timba transformado num njuzi, um felino somente um pouco mais pequeno do que o leopardo. Então, todos aqueles animais andavam de rastos: cabritos, antílopes, nsenzi... Passados três, quatro meses, cruzou-se o Timba-njuzi, de novo, com o seu rei:

– E agora, como estás nfumu Njuzi?

– Ó rei, nem te consigo contar como estou divertido com as minhas caças. O que sinto falta de poder apanhar é os mesmos animais gordos que o leopardo caça, como antílopes ntsengo, gazelas mbawalas, javalis...

O Leão só teve de lhe cortar palavras e desejos, e consentiu:

– Serás leopardo!

Logo, naquele momento, transformou-se o Timba num leopardo. Antílopes ntsengo, gazelas mbawalas, javalis, não tiveram mais descanso perto dele. O Timba-leopardo gozou durante dois, três anos, até deparar com o seu rei:

Nfumu Leopardo, como anda isso com as gazelas?

Mambo Leão, pode ver o meu corpo engrossado! Toda a família das gazelas já não gozam mais comigo. Quem ainda faz pouco de mim, são os antílopes grandes ílandes e ndondonga ou os búfalos. Se conseguisse apanhá-los também a eles, nunca mais diria nada.

– Escuta bem, – respondeu-lhe o Leão, – se quiseres ser um leão devemos combinar uma só coisa. A única condição será a seguinte: quando tu rugires, nunca deves rugir “Mphyanga! é meu, é meu!” O teu rugir deve ser o seguinte: “Mphya mwanacinthu! é dum dono, é dum dono!” Ouviste?

– Oh rei, só isso? Aceito esta condição e prometo fazer como me mandas! – respondeu o Timba-leopardo.

– Então, transforma-te num leão! – concedeu-lhe o rei dos animais, e o Timba passou a ser também um leão.

Assim, passaram anos, até o Timba-leão se enfrentar com um búfalo, um macho grande e temível. Matou-o. Parou em cima da sua presa e começou a rugir:

Mphyanga-a-a! Mphyanga-a-a! É meu-u-u, é meu-u-u!

O Leão rei ouviu este rugido e seguiu-o. Quando o Timba-leão notou o rei a aproximar-se ficou assustado e procurou palavras evasivas:

– Meu senhor, matei esta caça e, por isso, chamei-vos para a comerdes...

– Mas, porque rugiste tu hoje assim: “É meu, é meu”?

O rei Leão perguntou e o Timba-leão não sabia que resposta dar. O rei ameaçou, então, transformá-lo de novo naquele animal que o Timba era inicialmente. O Timba-leão procurou desculpar-se, mas o rei foi-lhe lançando uma pergunta a seguir a outra:

– Antes de ser leão, quem eras tu? – perguntou o rei.

– Eu era leopardo, – admitiu o Timba.

– Passas a ser leopardo! E come! – retorquiu o Leão rei e o Timba foi de novo leopardo.

– Antes de ser leopardo, quem eras tu? – continuou o Leão a perguntar.

– Eu era um felino njuzi! – admitiu o Timba. E o Leão mandou:

– Voltas a ser um njuzi, come lá a tua presa! E quem eras tu, antes?

– Era raposa!

– Volta a ser raposa e come depressa, senão ficas sem comer. E, antes, quem eras tu?

– Era galinha, respondeu chorando o Timba.

– És galinha de novo.

Acabado de ser rebaixado ao estado de galinha, Timba ouviu já a última pergunta:

– Quem eras tu, antes?

– Era um passarinho timba!

– És um timba! E comerás as larvas quando o teu búfalo tiver apodrecido!

Aqui acaba o meu conto. Quem sabe o seu, que o conte por sua vez.